domingo, 11 de setembro de 2011

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   A chuva passou, mas o céu, ainda, permanece nublado. Essa inconstância do tempo esta me deixando meio dormente, eu já nem sei quando é outono. Dou muita sorte de ter uma pequena afinidade com as flores, elas que me fazem deduzir quando é primavera. Cada flor uma representação do que sou, do sinto e do que eu tenho, quando vejo alguma caída pelo chão e o vento levando, me surgi um grande nó na garganta e um aperto no peito - nada define – logo, quando desvio o olhar, o que me faz seguir em frente e me conformar com aquelas que o vento levou é uma delicada visão, de um pequeno jardim, nele contem as mais belas flores (eu mesma que o fiz, pode crer.), selecionei uma por uma, e me dei o trabalho de regá-las todo santo dia, sem contar que as nomeei também, deu muito trabalho botar nome em cada uma das flores, mas sabe o que eu fiz? Separei por cor. Três lindas cores. Branca, rosa e não diferente das outras se fazia necessária também a vermelha. Então pensei: Deus, a flor branca é a mais delicada de todas, sem contar que todas às vezes que me falta algo ou que estou passando por algum descontentamento ela é a primeira que avisto, parece incrível, mas a minha tristeza é motivo da tristeza dela também. Então, que nome darei? E logo que me perguntei vi a uns três metros de distância minha Família (ou melhor: “Minha parte de mim”) Então decidi que o nome da flor branca nada mais seria do que FAMÍLIA, a melhor representação para aquela espécie.  Até me emocionei na hora, mas foi por poucos segundos, lembrei que ainda me faltava à lição de nomear as outras duas flores. Prestei bem atenção na flor rosa, tive a ousadia de tirar uma do jardim e visualizar lado a lado, pétalas decalcadas, cheirosas e grandes. Lembro como se fosse hoje, por alguns minutinhos, naquele dia, dei um imenso descuido e adormeci, sonhei que estava brincando de roda com outras pessoas que no início não consegui decifrar direito quem eram, quando, sem querer, tropecei e cai, mas isso não foi problema todos em minha volta, me ajudaram a levantar foi tão lindo que nem me dei conta do pequeno arranhão no joelho, e elas começaram a dizer coisas bonitas, uma dizia : “Eu to aqui com você”  a outra “Machucou em algum lugar?” Nossa, quanta preocupação! Mesmo assim não consegui ver direito os rostos delas, e quando acordei assustada por ter dormido, tentei lembrar quem seriam, não consegui até o momento que me veio na mente que quem me tratava com aquele cuidado e me dizia palavras tão doces eram, simplesmente, minha outra família que chamo, carinhosamente, de amigos (as), então esse seria o nome da flor rosa: AMIGOS (as). E só me restava nomear a flor vermelha. Que beleza inconfundível ela tinha, suas pétalas davam forma a um coração, e seu cheiro me lembrava de algo muito bom. A flor vermelha eu andava com uma dela, no cabelo, quase sempre. Ela era minha companhia, meu aconchego, e quando a solidão batia, eu a tirava do cabelo e começava a rodá-la entre os dedos, as suas voltas pareciam um grande carrossel de corações, dava prazer aos olhos e explicava a paz de qualquer ser. Então, o que passou pela minha cabeça: Qual o nome cairia como uma luva para esta flor, tão rara?  Foi aí que pensei, assim como a flor vermelha me acompanha em todos os lugares eu também preciso de alguém que esteja comigo, me dê carinho e conforto quando minha família e amigos estiverem ausentes, preciso de alguém, que assim como a flor vermelha, explique a paz que eu sinto nas muitas vezes. Enfim, eu preciso de um amor, que valha tão a pena a ponto de ser colado seu nome em uma flor, até porque, a flor vermelha é muito rara e não adiantaria nomeá-la com um nome mesquinho. Decidi que ela não teria somente um nome mas sim sobrenome também, seria então: AMOR (sobrenome), e esse sobrenome seria lhe dado com passar do tempo, ou até mesmo o que estar agora em mente. Depois de ter nomeado as três espécie de  flores, sem querer uma lágrima caiu. Chorei! Chorei por ter encontrado um meio de representar as pessoas que eu mais amo, num simples gesto de fina flor. Eu prometi pra me mesma que regarei, cuidarei, e me dedicarei o máximo possível a cada flor desse belo jardim, que chamo de minha vida e que hoje se faz me razão.