Poucos vestígios sobraram desde aquela hora. Eu quis agarrar com unhas e dentes tudo que me restara, tudo que dali se fazia necessário pro meu, provável, suprimento, até mesmo os pequenos retalhos jogados pelo chão. Quis agarrar, guardar, segurar, esconder, TUDO, TUDO que o lembrasse; dos olhos cor de marcela-real no fim de julho, da pele macia, do cheiro que eu degustava sem pena e sem dó... Das falhas, dos erros, mas também de toda compreensão e carinho. No entanto nos dias, de hoje percebo que o futuro, se nega a ser do jeito que pretendíamos que fosse antes, e com um, lamentável, vazio recuso-me a lembrar, mesmo que seja impossível, do que antigamente me mantinha forte. Fica então, aqui, retalhos de uma ausência que não me deixa caminhar só.

" Virava pra lá e pra cá na cama. Estava impaciente. Até me sentei no escuro. Pensei: Não era uma posição o que eu procurava. Era você. "
ResponderExcluir(Caio Fernando Abreu)