quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Oh, tempo injusto




Oh, tempo injusto, porque insistes tanto em derrubar-me toda vez que eu me aponto de pé ? Eu tanto que te confesso que cansei de ser esse samba tristonho, porque não me ouves? Nada em mim foi covarde, nem mesmo o acostumar dessa estrada, tão errada, que me destes preu caminhar. Será que é de tua vontade que eu siga engaiolada no meu interior arquitetado de medo, feito um pássaro preso numa gaiola, esculpida de tristeza, impedido de voar? Ou tu tens me mostrado o caminho de tão longe e eu feito tola vejo um labirinto sem saída ? Diga-me, diga-me tempo injusto o que eu ei de fazer sem a presença constante do meu  trigo que é dourado...



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ter Fé e ver coragem no amor .

(...) Naquela hora, de olhos postos ao mar eu o pedi, com toda fé necessária, que o melhor fosse acontecido, que meus braços servissem de abrigo, para sempre, a quem eu tanto desejara naquele momento... por quase um dia o mar ouviu as minhas preces!  Acreditei que a junção de nossas vidas estaria, ali, ligada apenas por uma respiração. Eu lhe observara dormir enquanto meus olhos, coração e mente, pediam-lhe de maneira sutil que nunca se afastasse de mim. Por um minuto desejei que o tempo parasse e que aquele momento viesse a permanecer para sempre - Passaria os últimos segundos de minha vida observando seus cílios longos e sua face coberta de ternura – porém, aquilo que eu pensava que, agora, seria ‘’eterno’’ o mar veio a esquecer o quão se faria cogente, aquilo para mim, esqueceu  de tudo o que eu havia lhe pedido deixando que o nascer do sol levasse tudo embora. E agora eu não o observo mais a dormir, e sim a mim mesma.



domingo, 11 de setembro de 2011

(...)



   A chuva passou, mas o céu, ainda, permanece nublado. Essa inconstância do tempo esta me deixando meio dormente, eu já nem sei quando é outono. Dou muita sorte de ter uma pequena afinidade com as flores, elas que me fazem deduzir quando é primavera. Cada flor uma representação do que sou, do sinto e do que eu tenho, quando vejo alguma caída pelo chão e o vento levando, me surgi um grande nó na garganta e um aperto no peito - nada define – logo, quando desvio o olhar, o que me faz seguir em frente e me conformar com aquelas que o vento levou é uma delicada visão, de um pequeno jardim, nele contem as mais belas flores (eu mesma que o fiz, pode crer.), selecionei uma por uma, e me dei o trabalho de regá-las todo santo dia, sem contar que as nomeei também, deu muito trabalho botar nome em cada uma das flores, mas sabe o que eu fiz? Separei por cor. Três lindas cores. Branca, rosa e não diferente das outras se fazia necessária também a vermelha. Então pensei: Deus, a flor branca é a mais delicada de todas, sem contar que todas às vezes que me falta algo ou que estou passando por algum descontentamento ela é a primeira que avisto, parece incrível, mas a minha tristeza é motivo da tristeza dela também. Então, que nome darei? E logo que me perguntei vi a uns três metros de distância minha Família (ou melhor: “Minha parte de mim”) Então decidi que o nome da flor branca nada mais seria do que FAMÍLIA, a melhor representação para aquela espécie.  Até me emocionei na hora, mas foi por poucos segundos, lembrei que ainda me faltava à lição de nomear as outras duas flores. Prestei bem atenção na flor rosa, tive a ousadia de tirar uma do jardim e visualizar lado a lado, pétalas decalcadas, cheirosas e grandes. Lembro como se fosse hoje, por alguns minutinhos, naquele dia, dei um imenso descuido e adormeci, sonhei que estava brincando de roda com outras pessoas que no início não consegui decifrar direito quem eram, quando, sem querer, tropecei e cai, mas isso não foi problema todos em minha volta, me ajudaram a levantar foi tão lindo que nem me dei conta do pequeno arranhão no joelho, e elas começaram a dizer coisas bonitas, uma dizia : “Eu to aqui com você”  a outra “Machucou em algum lugar?” Nossa, quanta preocupação! Mesmo assim não consegui ver direito os rostos delas, e quando acordei assustada por ter dormido, tentei lembrar quem seriam, não consegui até o momento que me veio na mente que quem me tratava com aquele cuidado e me dizia palavras tão doces eram, simplesmente, minha outra família que chamo, carinhosamente, de amigos (as), então esse seria o nome da flor rosa: AMIGOS (as). E só me restava nomear a flor vermelha. Que beleza inconfundível ela tinha, suas pétalas davam forma a um coração, e seu cheiro me lembrava de algo muito bom. A flor vermelha eu andava com uma dela, no cabelo, quase sempre. Ela era minha companhia, meu aconchego, e quando a solidão batia, eu a tirava do cabelo e começava a rodá-la entre os dedos, as suas voltas pareciam um grande carrossel de corações, dava prazer aos olhos e explicava a paz de qualquer ser. Então, o que passou pela minha cabeça: Qual o nome cairia como uma luva para esta flor, tão rara?  Foi aí que pensei, assim como a flor vermelha me acompanha em todos os lugares eu também preciso de alguém que esteja comigo, me dê carinho e conforto quando minha família e amigos estiverem ausentes, preciso de alguém, que assim como a flor vermelha, explique a paz que eu sinto nas muitas vezes. Enfim, eu preciso de um amor, que valha tão a pena a ponto de ser colado seu nome em uma flor, até porque, a flor vermelha é muito rara e não adiantaria nomeá-la com um nome mesquinho. Decidi que ela não teria somente um nome mas sim sobrenome também, seria então: AMOR (sobrenome), e esse sobrenome seria lhe dado com passar do tempo, ou até mesmo o que estar agora em mente. Depois de ter nomeado as três espécie de  flores, sem querer uma lágrima caiu. Chorei! Chorei por ter encontrado um meio de representar as pessoas que eu mais amo, num simples gesto de fina flor. Eu prometi pra me mesma que regarei, cuidarei, e me dedicarei o máximo possível a cada flor desse belo jardim, que chamo de minha vida e que hoje se faz me razão.

sábado, 6 de agosto de 2011

Abaçanamento.


   Escrevo nesta noite, desequilibrada, para tentar, afastar a tristeza e a solidão. Hoje tive ânsia de felicidade, no entanto me deparei com esse constante pensamento de como seria. Desejei apenas uma dose de desapego, com gelo, e o que me apareceu foram litros de lembranças misturados com alguns de saudades, quente,  guardadas a tempo-luz. Quisera eu poder dar um fim em tudo aquilo que me tira o sono e o fôlego, poder juntar tudo dentro de uma sacola e queimar igualzinho quem queima um cigarro, quisera eu ! Meu coração pede descanso a toda hora, e faz o trajeto, dentro do peito, como uma folha solta no vento, sem destino ele anda a procura de um refúgio em qualquer lugar, e ainda, com tudo isso, me surpreendo com essa infinita vontade que ele tem de encontrar os batimentos certos... No enlear de minhas artérias e veias pulsando forte ele bombeia, como quem cava um túnel,  a procura do caminho de volta.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Retalhos.







Poucos vestígios sobraram desde aquela hora. Eu quis agarrar com unhas e dentes tudo que me restara, tudo que dali se fazia necessário pro meu, provável, suprimento, até mesmo os pequenos retalhos jogados pelo chão. Quis agarrar, guardar, segurar, esconder, TUDO, TUDO que o lembrasse; dos olhos cor de marcela-real no fim de julho, da pele macia, do cheiro que eu degustava sem pena e sem dó... Das falhas, dos erros, mas também de toda compreensão e carinho. No entanto nos dias, de hoje percebo que o futuro, se nega a ser do jeito que pretendíamos que fosse antes, e com um, lamentável, vazio recuso-me a lembrar, mesmo que seja impossível, do que antigamente me mantinha forte. Fica então, aqui, retalhos de uma ausência que não me deixa caminhar só.

terça-feira, 12 de julho de 2011

change .




(...) Chega um dia em que a gente simplesmente muda. Os sentimentos entorpecem e o coração faz novas escolhas. Toda vez que analiso meu interior, percebo que chegou a hora de mudar o rumo da vida, de seguir novas estradas, buscar novos horizontes e corre atrás de sonhos tingidos de eternidade . É, minha antiga vida, Chegou a hora  de me veres longe de ti, hoje, cansei de remar contra o mar e pretendo dormir na certeza que tomei uma atitude ímpar e não fui covarde em nenhum momento, nem mesmo na hora de desistir de tudo, aliás,  menos ainda nessa hora, pois esse foi meu grande gesto de coragem. Amanhã, quando eu acordar, quero estar com os pés firmes ao chão, e longe de toda tua pena, indiferença  que hoje, ou melhor, que amanhã, não me fará mais falta nem interferirá nos meus futuros planos. Vou viver meu “mundinho” não era assim que dizias? ‘Cheio de ilusão’ porém um mundo meu, seja ele de realidades ou repleto de utopias... Minha antiga vida, sinto dizer-te, me sinto mais acompanha sozinha de que quando estava contigo, me sinto segura, confiante, até mais bonita, sabia? Não, mais, adianta ter-te ao meu lado por simples capricho do amor, eu quero pra mim alguém que faça a diferença, que me ame a toda hora e em todos os lugares. Queria te entender, mas impossível! Sei que sentirei saudades, assim como sentirás também,  saudades de quando nos completávamos, mas isso era a muito... Quero que um dia tu percebas o, dócil,  amor que senti por ti, mas não te arrependes de nada que fizeste, nem das vezes que me renegastes, pois já vai ser tarde, eu já vou ter encontrado em meu caminho alguém, não que ocupe teu lugar, mas que não tenha medo de mostrar o sentimento existente entre nós, enquanto isso vou caminhado em paz, e pedindo ao coração que não se deixe tocar por amores fúteis, por inverdades, por meios termos, mas sim por algo concreto e que me deixe sem fome e forte ! (...)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Só o Tempo!





Ah, o Tempo, que apesar de perene, é capaz de nos mostrar a luz, mesmo quando tudo parece nunca mais deixar de ser escuro, tira a opaca neblina dos nossos olhos e nos permite a doce sensação de sentir, o que antes já era inacreditável sentir novamente.

domingo, 3 de julho de 2011

Itinerário




Quer um conselho? Apenas cale a ausência deixando a força do pensamento falar ao coração, silenciosamente, e anseie pelo comando de suas próprias pernas !





quinta-feira, 30 de junho de 2011

(...)Que vai ser pra sempre, mas só até o amanhecer! ♪




(...) Fugir naquela hora seria a mais bonita atitude, ou até mesmo um ato de compreender a situação que o momento não permitira acontecer, então o ‘mas’ se encaixa logo aqui, mas como fugir de algo que não se dar pra fugir? Talvez uma dose ou duas, quem sabe quantas, de etílico seja a melhor resposta, ou a mais ridícula de todas... Era como se algo nos puxasse e nos atraísse, eu segurava a sua mão como quem segura a mão de alguém que esteja pendurado sobre um barranco, seus olhos permaneceram dentro dos meus por uma fração de segundos... E enfim laçamos nossos braços, e roçamos nossos rostos, deixando a saudade desenhar linhas  perfeitas levando a uma interminável  troca de carinho e afeto, aquela de sempre. E a qualquer pedido feito, naquela hora, só vinha, simplesmente, um , ou o mesmo, ou o único: Não fujas de mim!  O copo virara as vezes, e a cada queda o peso na consciência de que mais tarde, um pouco, só nos restaria garrafas vazias  e uma pequena ressaca moral. Ressaca moral? Não de ambas a partes, eu nunca tive medo tampouco vergonha do que é só amor... O cenário não nos proporcionava muitas coisas, a não ser uma imensa quantidade de copos, espalhados pelo chão, e a mais deslumbrante  de todas as luas, isso me bastava! E aos leitores deste texto digo que ficou um toque a mais do que antes eu já sentira, e que , agora, a ausência passa a transcalar até mesmo o vento (...)

continua no próximo capítulo, ou não!

E como diria Renato Russo: Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.



sábado, 28 de maio de 2011

Efeito dobrado .









Optei por percorrer esta enorme ferrovia que leva a um não sem fim de trilhos, onde os mesmos são traçados corretamente, sem desvios, tendo apenas os necessários. Pacientemente esperei a hora certa de pular de trilho, mas fui traída por um calo que estava oculto na parte inferior do meu pé, me fazendo fraquejar e fugir da linha. Uma dor incômoda invadiu as minhas entranhas e meu coração de tanto gritar acabou perfurando uma pequena cavidade, que ecoou para todos os sentidos palavras desconcertadas e - liberando o ar que insistentemente quis sair, senti uma sensação de alívio. O calo secou e achei o trilho certo. Certo, no entanto, errado. No mesmo tempo que eu andava na linha, percorri a ferrovia querendo pisar nos dois trilhos ao mesmo tempo, mas, era em vão, minhas pernas eram frágeis e curtas e me impossibilitavam de ir além.Aquilo me deixava com um aperto no peito e me deixava também a duvidar do meu controlador de sonhos. Eu queria de qualquer jeito resposta para aquilo tudo, e foi então que avistei de longe pássaros pousando na ferrovia entre os trilhos, eles pousaram, não em linha reta, mas em forma de ziguezague e foi quando percebi que nem toda trilha é percorrida do jeito que queremos, pisar nos dois trilhos de uma vez só não era possível, mas não quer dizer que eu não possa ter a ousadia. Resolvi seguir os pássaros e – aleatoriamente pulei linha por linha, no entanto, fiquei à penumbra, pois esqueci que os pássaros voam. 


Danielle Santos e Manuela Araujo .

sábado, 14 de maio de 2011

Talvez se ...













... Se o assobio do vento me trouxesse a certeza que o futuro seria, como a calmaria do mar e o orvalho da manhã, eu deixaria de me preocupar como seria o depois e viveria , unicamente, a seguir as águas, do imenso oceano, e a contemplar todas a pétalas de rosas que são, exatamente, o caminho perfeito para teu coração!



humility .







(...) Talvez tivesse sido melhor tirar os sapatos, e mesmo com dificuldade e calos formados, uma tranquilidade te ter chegado ao topo com simplicidade e essência !


domingo, 24 de abril de 2011

Efeito

Optei por percorrer esta enorme ferrovia que leva a um não sem fim de trilhos, onde os mesmos são traçados corretamente, sem desvios, tendo apenas os necessários. Fui paciente ao esperar a hora certa de pular de trilho, mas fui traída por um calo que estava oculto na parte inferior do meu pé, me fazendo fraquejar e fugir da linha. Uma dor incômoda invadiu as minhas entranhas e meu coração de tanto gritar acabou perfurando uma pequena cavidade, que ecoou para todos os sentidos palavras desconcertadas e - liberando o ar que insistentemente quis sair. A ferrugem que outrora se fazia sem luz, com pouco oxigênio e chuva de lamentações, virou aço forte. O sonífero perdeu o efeito e hoje eu sei que o caminho do sono pode não ter porta, mas inexplicavelmente tem saída. O calo secou e achei o meu trilho certo.


à Manu por Dani Nunes =')

sábado, 26 de março de 2011









Tentamos tanto o mais e o melhor que às vezes curtimos menos o que já se tem, até perder aquilo que verdadeiramente nos faria falta, e o pior só nos damos conta que perdemos depois que isso é quase impossível recuperar ... Digo que, se ainda tens algo, e no teu íntimo  um silêncio grita e te diz que aquilo é importante , não deixe escapar, agarre com unhas e dentes (...)





Creio que passamos maior parte da vida em busca de “coisas” perfeitas , namorado perfeito , amiga perfeita , família perfeita, enfim, deixamos de viver/contemplar o belo
em busca da perfeição , onde muitas vezes ela se torna obscura e opaca. Deixamos de sentir o verdadeiro assim criando uma venda pros nossos olhos impedindo de enxergar  a perfeição das pequenas coisas que no meu ponto de vista são as mais belas, as que nos fazem bem  e  eu sou mais uma de muitas que me recuso a enxergar por diversas  vezes, não que eu queira   ...

(...)

"Ela, na sua magnífica força e coragem, aprendeu a ser livre, a gritar quando tem vontade, a chorar quando precisar chorar e a sorrir mesmo quando a situação não permitir sorrir. E, perante os olhos intimadores dos homens e de tamanha curiosidade, ela levantou a cabeça e mostrou que não era uma boneca de porcelana, mas que podia ser quebrada várias vezes e que sempre conseguia se juntar sem perder nenhum dos pedaços.
Eu soube que ela foi chamada de covarde por ir embora, uma errante sem propósito. Mas nem todo errante é sem propósito, especialmente aquele que busca a verdade além da tradição, além da definição, além da imagem." 

(Clarice Lispector)